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mais conhecida pela sigla IA, a inteligência artificial é a capacidade de uma máquina reproduzir parte das habilidades do cérebro humano. Mesmo sem sabermos necessariamente, a IA já está muito presente na nossa sociedade. Encontramo-la em diversos domínios, como logística, saúde, defesa ou ainda na economia. Baseia-se, nomeadamente, em métodos de machine learning (tecnologia que permite às máquinas aprender sem terem sido programadas para esse fim) e de deep learning (tecnologia em que a máquina é capaz de aprender por si própria).
O deep learning, ou aprendizagem profunda, maravilhava o mundo científico pelas suas proezas no início do século XXI. Em 2015, foi esta técnica que permitiu ao programa AlphaGO vencer os campeões de Go. Foi este acontecimento que gerou um sentimento de medo em várias personalidades. De facto, Bill Gates, Stephen Hawking e até Elon Musk manifestaram preocupação com a possibilidade de a IA escapar a todo o controlo, provocando assim o fim da humanidade. Esta hipótese parece exagerada. Existe uma gigantesca rede neuronal com 175 mil milhões de parâmetros, chamada GPT-3 e criada pela OpenAI. Conta-se que esta rede foi capaz de escrever um artigo no ano passado no The Guardian, com o objetivo de nos tranquilizar: «Estou aqui para vos convencer a não se preocuparem. A inteligência artificial não vai destruir os humanos. Acreditem em mim.» Todos se perguntam quando é que o surgimento do poder das máquinas irá parar. Há alguns anos, quase ninguém pensava que seria possível ver nascer uma rede como o GPT-3. Isto levanta novas questões: de que serão capazes os seus sucessores no futuro? Se algumas redes neuronais já conseguem substituir dermatologistas, porque não nos substituir a todos? Podemos ficar tranquilos, ainda está muito longe de ser possível. Hoje, surgem opiniões muito menos alarmistas do que as que se seguiram ao lançamento do AlphaGO. Como a de Fabienne Chauvière, jornalista e produtora francesa de rádio e televisão, na France Inter, a 31 de janeiro de 2021: «É impressionante, mas não podemos esquecer que se trata de uma rede de neurónios artificiais, treinada para realizar uma tarefa; não há qualquer criatividade nem qualquer forma de inteligência.» É preciso manter a lucidez sobre o enorme fosso que existe entre as redes neuronais e uma verdadeira inteligência artificial.
Todos os fãs de cinema já imaginaram uma inteligência artificial como a presente em vários filmes da Marvel (Iron Man, Vingadores, etc.), chamada Jarvis. Uma IA dotada de um conhecimento absoluto e capaz de compreender os nossos sentimentos e emoções. É evidente que ainda estamos longe disso. No entanto, é importante saber que a inteligência artificial já faz parte da nossa vida. De facto, está presente nos nossos smartphones, nos nossos computadores e nos nossos objetos conectados. O seu objetivo? Simplificar-nos a vida! Embora a IA tenha melhorado imenso nos últimos anos, o melhor ainda está para vir. Mas, enquanto esperamos, vejamos o que já é capaz de nos oferecer.
No domínio médico, o papel benéfico da IA já está comprovado. Utilizada para fins de análise, pode rever e analisar com precisão imagens médicas para detetar eventuais tumores. Capaz de trabalhar continuamente 24 horas por dia, alcança sobretudo uma taxa de deteção de tumores próxima da dos médicos. Pode também ser útil para evitar catástrofes naturais. A IA calcula modelos de previsão e é uma ajuda primordial para tomar as decisões certas no momento certo. Por fim, a inteligência artificial é capaz de facilitar o trabalho da polícia e dos bombeiros. Consegue mapear as intervenções, identificar zonas de risco e gerir melhor os percursos dos veículos de emergência em tempo real, de acordo com as condições meteorológicas, o trânsito, etc.
A IA cria uma ligação entre programas e máquinas. É utilizada para comando por voz e para a comunicação entre humanos e assistentes virtuais. Estes últimos ainda estão longe da perfeição, mas têm o mérito de melhorar com o tempo e já funcionam bem para certos pedidos. Também encontramos inteligência artificial em chats ao vivo presentes em sites da internet ou nas redes sociais (chatbots). No melhor dos casos, o bot será capaz de responder à grande maioria dos seus pedidos e passar a tarefa a um humano quando encontrar dificuldades em compreendê-lo.
Pare de pensar que o seu telefone está sob escuta! Um feed de notícias no Facebook relacionado com a conversa que teve com o seu amigo? Recomendações na Amazon e na Netflix que respondem às suas necessidades? Fique descansado, estes exemplos resultam do poder da IA. Capaz de absorver grandes quantidades de dados, ela organiza, classifica e dá sentido a estas informações, apoiando-se em fórmulas específicas que são protegidas pelos GAFAM (acrónimo dos gigantes da Web: Google, Apple, Facebook, Amazon e Microsoft) como segredos industriais. Pode também revelar-se essencial para o bom funcionamento de um serviço de atendimento ao cliente. Na fAibrik, a IA compreende pedidos em diferentes idiomas e extrai as informações importantes para o seu tratamento (intenção, sentimento, nível de prioridade, número de encomenda, etc.), e isto em diferentes setores de atividade. A lista ainda é longa, mas uma coisa é certa: a inteligência artificial é a tecnologia do futuro e vai implantar-se no nosso quotidiano. Trabalhar com e para a IA é um desafio essencial, tanto ao nível da conceção como da gestão de projetos.